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Conheça a visão da anfitriã TheVagar: Marta Domingos

  • Foto do escritor: Adriana Travasso
    Adriana Travasso
  • há 5 dias
  • 5 min de leitura

Sobre pausas, escuta e o nascimento dos Programas com vagar.


Há lugares que se visitam. E há lugares que se sentem.

O TheVagar nasceu dessa sensação difícil de explicar, mas impossível de esquecer. Nesta conversa, sentámo-nos com a Marta, anfitriã do TheVagar, para falar sobre o percurso que a trouxe até aqui, sobre a importância da pausa e sobre os novos Programas com vagar que agora ganham forma na Serra da Esperança.


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Anfitriã Thevagar - Marta Domingos

1. O TheVagar sempre foi um lugar de pausa. O que sentiste que estava a faltar? O que começou a pedir espaço?

Sempre senti que o TheVagar era mais do que um lugar bonito para descansar. Desde o início, havia aqui algo difícil de explicar, mas muito fácil de sentir. Quando o visitei pela primeira vez, senti-o no corpo, uma sensação clara de abrando, de presença, de verdade. Com o tempo, comecei a perceber que faltava dar espaço a isso. Não criar algo novo por criar, mas permitir que essa pausa pudesse ser mais profunda. Que tivesse forma, tempo e cuidado.

E depois vieram as conversas com os convidados. Pessoas que chegavam cansadas, em piloto automático, e que, ao fim de poucos dias, diziam sentir-se diferentes. Mais presentes.  Os programas nasceram exatamente aí — da escuta do lugar, da minha própria experiência e das necessidades reais de quem por aqui passa.



2. Esta escuta nasce mais da tua experiência pessoal ou da observação dos convidados?

Nasce das duas coisas, de forma muito natural. Estes programas partem de uma necessidade muito pessoal: melhorar o meu descanso, a minha relação com o tempo, com a alimentação, com o silêncio.

Mas depois vêm as partilhas dos convidados, e percebemos que somos muitos nesta roda viva, nesta correria constante onde parar parece quase impossível. O TheVagar tornou-se um espaço seguro para essas conversas, sem julgamentos. E foi aí que fez todo o sentido estruturar algo mais profundo, mais consciente, mais alinhado com aquilo que somos.



3. Houve um momento em que percebeste que isto era uma necessidade real, e não apenas uma tendência?

Sim, claramente. Quando várias pessoas diferentes, em momentos distintos, começam a dizer coisas muito semelhantes — “aqui consegui desligar”, “aqui consegui dormir a sesta”, “aqui consegui parar e não fazer nada” — percebemos que não é moda. É necessidade, é real.

Vivemos com pouco tempo, pouca presença e demasiados estímulos. O tempo tornou-se um luxo. E as viagens, cada vez mais, são usadas não só para escapar, mas para parar, refletir e, muitas vezes, mudar de rumo. Isso é profundamente transformador.


 

4. Ao longo dos anos, que necessidades sentes que os vossos convidados mais te foram revelando — mesmo aquelas que, por vezes, são difíceis de assumir?

Muitas, e algumas dizem-se quase em voz baixa. Recebemos muitos casais que nos partilham que esta é, por vezes, a primeira pausa a dois em anos. Dois, quatro, seis ou sete anos sem um momento de silêncio partilhado. Sem filhos. Sem rotinas. Sem responsabilidades.

E dizem-no muitas vezes com um misto de alívio e culpa, como se precisassem de justificar essa necessidade. Aqui nunca sentimos que seja preciso justificar nada. Acredito profundamente que estas pausas são necessárias — para voltarmos a ser melhores pessoas, melhores parceiros, melhores pais. Mais presentes.

O facto de o TheVagar ser hoje um espaço só para adultos nasce muito dessa escuta atenta. Do respeito por aquilo que tantos convidados nos foram partilhando ao longo dos anos. Eu própria sou mãe, e talvez por isso esta compreensão seja ainda mais natural.

Aqui damos espaço ao silêncio, ao casal e ao descanso, sem julgamentos.



5. Os Programas com Vagar focam-se em áreas muito concretas do bem-estar. Porquê a escolha destas estas temáticas em particular?

Mente e corpo são pilares que se cruzam em permanência e que se influenciam mutuamente. Quando um está em desequilíbrio, o outro acaba por ressentir-se. A escolha destas duas temáticas em particular nasceu tanto da escuta atenta dos nossos convidados como de um caminho que eu própria senti necessidade de fazer, em resposta a desafios que foram surgindo ao longo do tempo. Percebi que estas dimensões estão profundamente ligadas, que cuidar da relação com o digital, da forma como nos alimentamos e do descanso não são temas isolados, são bases essenciais para viver com mais equilíbrio.

Os programas refletem isso mesmo: caminhos complementares, simples e honestos, para abrandar, escutar e restaurar, sem pressa e ao ritmo de cada pessoa. E estes primeiros programas são apenas o início de algo maior. Queremos continuar a desenvolver uma coleção de experiências que toquem outras dimensões do bem-estar, sempre com a mesma filosofia, sem fórmulas rígidas e sem perder a simplicidade, a autenticidade e a ligação à natureza que definem a identidade do TheVagar.


 

6. Porque é que não lhes chamaste “retiros”?

Porque o TheVagar não deixou de ser o TheVagar. Estes programas não mudam a nossa essência, apenas aprofundam uma possibilidade para quem a procura.

Continuamos a ser um lugar de acolhimento, simplicidade e natureza. Os programas são complementares à estadia, pensados para um nicho específico, mas nunca fechados, rígidos ou dogmáticos.



7. De que forma sentes que o lugar — a Serra da Esperança — e as experiências que criaram ajudam os convidados a chegar a esse estado de pausa e reconexão?

O lugar tem um papel fundamental. Há algo aqui que é difícil de explicar por palavras, sente-se. O ritmo da natureza acompanha o dia e a paisagem convida à presença. Muitas vezes digo que, no TheVagar, o corpo abranda antes mesmo de a mente perceber.

O que fizemos foi respeitar o lugar e enaltecê-lo. Criar conforto sem o domesticar. Depois, desenhámos experiências muito simples, mas cheias de propósito: o percurso pés descalços, os banhos aromáticos e de contraste, o hot tub  exterior mesmo em dias frios, ou os momentos em volta do fogo.

Nada disto é complexo. É a mais pura das simplicidade. E acredito que é essa simplicidade, aliada à força da natureza, que cria as condições para que cada convidado possa parar, escutar e regressar ao que realmente importa.



8. Falas muitas vezes de um cuidado sem julgamentos. Porque isso é tão importante para ti?

Porque acredito que cada pessoa chega com a sua história, o seu cansaço e o seu tempo. Aqui ninguém tem de ser diferente, melhor ou mais consciente. Basta ser.

Estes programas não são sobre performance, são sobre presença. E isso só é possível num ambiente onde há cuidado verdadeiro, de uma equipa que gosta genuinamente de receber, de escutar e de acompanhar.



9. Qual foi o maior cuidado ao criar estes programas?

Ser transparente. Por isso fiz questão de deixar claro que não substituem qualquer acompanhamento médico ou clínico. Não sou profissional de saúde. Sou anfitriã, observadora e alguém que viveu — e vive — muitos dos desafios que hoje tantas pessoas enfrentam. São programas honestos, inspirados pela vida real, e é isso que quero que as pessoas sintam.



10. Para quem são estes programas?

Para quem sente que precisa de parar. Para quem anda cansado, desconectado ou simplesmente curioso em viver de outra forma, nem que seja por alguns dias.

Não são para toda a gente — e está tudo bem!



11. O que gostarias que as pessoas levassem consigo depois de viverem esta experiência?

Que levassem uma sensação. A sensação de que é possível viver com mais vagar. Que o tempo pode ser vivido com mais propósito. Que cuidar de si não é um luxo egoísta, mas uma necessidade.

Se conseguir inspirar alguém a viver um pouco melhor, mais presente e mais alinhado consigo próprio, então sinto que tudo isto faz sentido e é muito gratificante.




Obrigada Marta, sem o teu vagar, a tua escuta e a tua forma tão verdadeira de cuidar, o TheVagar não seria tão profundo!

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